sexta-feira, 26 de novembro de 2010







Já caiu na real que o Brasil está crescendo enormemente nesse contexto de globalização? Essa palavra é batida e besta. mas é preciso mesmo pensar que o mundo funciona como uma coisa só. Trazendo pra escala humana, o mundo parece divido como um apartamento. Existem lugares de estar e prazer, que devem ser bonitos e aconchegantes como o quarto pra repouso, a sala e o escritório para encontros sociais e discussões intectuais; e um segundo bloco, de lugares de serviço e coisas mal cheirosas, como a cozinha, a despensa e o banheiro. O Brasil aos olhos do mundo aparece misturado, talvez nesse paralelo seja uma ante sala, concentrando serviços e lazer – onde o convidado deixa seu casaco molhado e enxuga os pés de lama, mas também onde ele recebe o primeiro sorriso e sua taça de champagne. Ainda é um país-cozinha com suas gigantes monoculturas de exportação, onde grande parte de suas terras mais preciosas já foram compradas à preço de banana por capital gringo – costa nordeste e exploração da amazônia – locais que fabricam rios de dinheiro que escoam pela torneia aérea, a milhas dali. Alguns capítulos restam apagados com o plin-plin da novela ou com o chopp do happy hour, assim como boas novidades que poderiam ser mais populares. A visão que o mundo tem é desse povo contente, festeiro e pacífico, que é pobre mas é feliz, é limpinho, dócil apesar alguns topos de violência que amedrontra multidões; com localizadas guerras civis causadas por tráfico de drogas nas favelas, sustentado também por deputado burguês. Enfim, esse gigante pela própria natureza – melhor, pela astúcia de nossos antepassados colonizadores – está adormecido para os olhos da massa, mas bem acordado para os espertos homens de negócio, brasileiros ou não. A questão é, como contar pra todos que não participam da grande festa ? Como contar que existe algo além da cesta básica? Que se pode sorrir por com orgulhos maiores do que ganhar bolsa família do governo? 
Se conquista pouco a pouco a dignidade, mas ainda se deixa esse povo pra lá! Mais distantes melhor, como li em algum lugar “a classe média se assusta com a melhoria da classe desfavorecida pensando ‘imagina se sentam ao meu lado na sala de cinema?” Problema deles se eles não sabem, são burros... se eles não reclamarem melhor, sobra mais pra mim ! Sim estou falando de melhoria de educação!
Muita dessa riqueza que tem sido produzida não tem sido adquirida ou quando adquirida, não distribuída de maneira justa. O suor de quem produz não ganhou Kleenex, o corpo saudavelmente esculpido não foi de academia, nem daquela lipoaspiração que depois de dois meses foi embora com petit gâteau de chocolate… Você olhou pra a pessoa que passou no seu lado hoje ou você ficou com medo de abaixar o vidro do seu carro, pois as unhas dela estavam pretas? Já pensou que a violência a qual estamos expostos nós mesmos ajudamos a gerar com a indiferença? Porque existem países muito mais miseráveis e ainda mais pacíficos? Talvez seja porque as pessoas se relacionam, pois a agressão vem primeiro com palavras e gestos, passa por sentimentos, pra depois culminar em estilete ou pistolas. E se as melhorias de educação fossem pagas diminuindo o salário de Dona Dilma e seus colegas do planalto? E ela teria coragem de propor o salário de 1 dólar como executivos americanos ousaram na 2a guerra? Se você contrata uma empregada exige que ela limpe todos os cantos, porque não faz o mesmo quando contrata um político? Pagamos o salário dele, temos direito de exigir. « A luta continua companheiro », « o povo unido jamais será vencido », « fim dos privilégios », « libertas quae sera tamem »*, « ordem e progresso » todos já ouvimos essas frases que de tanto ecoarem já não fazem mais sentido. Como tocar a massa entorpecida de internet e coca-cola, sem ideologias ou anseios, que reclama e não se move? Esse é um momento auge, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos... O PAC faz esses eventos depassarem o esporte para criar desenvolvimento urbano - ou é o que deveria fazer. Como produzir algo além do objeto? Desse a indústria se encarrega, já tem demais nas prateleiras consumistas. Como produzir conexões, entre a prosperidade que existe nesse país e as pessoas para estancar a xenofobia que apareceu nas eleições? Eu tento pensar nisso, me diga se quiser também.

* liberdade ainda que tardia

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Noturno
















Objetos e seres passeiam pela noite.
Escuro que se acabará depois da tecnologia...
O laser detector de pessoas vai clarear a floresta.
Não tem solução: sem luz vê-se as estrelas mais fortes, mas não se pode ler na cama.
Com luz os objetos não somem, mas os gambás não desfilam com suas folhas amarradas pelo rabicó.
Ser ou não ser, eis a questão, os clichés contribuem para expressão.


Mundialização










































Brasileira,vestido chinês, disfarce de havaiana.

De volta ao meu aconchego, livre do bloqueio do partido, volto também pra essa vida virtual. Agora tem menos sentido escrever em português, já que os queridos que estão longe falam outras línguas. Mas como o prazer em escrever continua, as letras saem fáceis. Posso escrever livremente em português, tem mais poesia, às vezes quem sabe posso fazer edições bilíngues de coisas importantes como delírios coletivos itinerantes?
Faz bem não fazer nada obrigatório, ou melhor, fazer tudo dentro de um tempo que lhe apraz e ter assim o tempo de olhar a mangueira. Se inspirar no verde que se transforma pouco a pouco em uma flor roxa e amarela, em um pequeno beijinho rosa e branco, em outra lilás que sobe sobe por cima do telhado até chegar ao sol. Também observar a manga que engorda a medida que os dias avançam e assim, até apodrecer no chão aquelas não colhidaa, dando assim alimento aos insetos e todos os outros, seus amigos que costumamos entender como asquerosos por fazer trabalhos que ao nosso ver são menos dignos. Porque a minhoca, mosca e a larva são vistas como menos dignas que a abelha ou a formiga? Porque comer boi e galinha pode, mas cachorro e cobra não? O camarão nada mais é do que uma barata branca que nada, se pensarmos com cuidado (biólogos que expliquem). Mas é dificil pensar diferente depois que vários definiram o certo e o errado, o bom e o ruim, o bonito e o feio.
Vou comprar um dicionário pra me explicar a viver, o google não sabe mais várias coisas que já se passaram... Ele acha que apraz é marca de remédio que contém "alprazolam", indicado para ansiedade. É... pelo menos pra isso a internet é genial, fazer ligações às vezes inimagináveis de coisas em nexo, mistura de prazer e ansiedade é uma estranha bomba.