sexta-feira, 26 de março de 2010

Saint Louis > Dagana > Podor > Richard Toll








No rio cabe tudo, as crianças nadam de shortinho, as mulheres lavam roupa com seus seios à mostra e o homens lavam o talvez único carro da cidade, também suas charretes com cavalo e tudo. Na travessia pra Mauritânia, as mulheres vão de canoa com seus tecidos coloridos e os homens chegam de lá com mercadoria pra vender, na foto em primeiro plano a singela raiz do Baobab.










Família de Dagana que nous acolheu e nos serviu um enorme prato delicioso de arroz peixe e legume - o prato local de tooodo dia - o Thiebboudjene.

Tá sentindo o seco e o calor ? As construções em terra às vezes dão lugar à barracas de camping dos toubabs* da cruz vermelha e afins.
Dentro do minibus, virando Touareg beduína mulçulmana pra proteger do vento.








Já foi em Ipatinga no verão? Rio nos seus 40 graus? Talvez seja igual o sertão bahiano (mas esse eu não conheço).
Imagina o bafo do Sahara lambendo os seus cabelos. Agora entendo o véu, a burka, os beduínos e os touaregs... e todas essas coisas e panos que os protegem do vento forte e areia fina que vem com ele.
Tirando fora Saint-Louis, o Senegal ferve no caldeirão desértico. Saint-Louis até faz frio à noite com a brisa do mar e do rio, mais pro interior... mesmo às margens do rio a temperatura vai às alturas.

Em Podor à 23h a ducha fria caiu bem, 5 minutos depois estava seca. Às 2h da matina acordei com o calor, mesmo com ventilador ligado, que soprava quente! Tomei uma outra ducha e assim com o cabelo molhado consegui domir até as 4h quando tudo estava seco e quente outra vez e parti pra terceira ducha! Mas que nada, acabou a água...

Em Richard Toll existem porcos, são raros num país 95% mulçulmano.

Nesse percurso que durou 2 dias pegamos diversos carros diferentes, um deles foi a caminhonete abarrotada, onde todos estão apertados até o teto.

*Sim, toubab é você mesmo, gringo.

terça-feira, 16 de março de 2010

A Mauritânia

Longa história sem acentos corretos graças ao pobre do teclado francês e repleta de delírios pessoais.
Se não der prazer de ler, jà deu prazer de escrever.

A fronteira com a Mauritânia sempre exerceu uma atração em mim. Talvez pelo fato de que as do Brasil são quase inatingíveis quando se é um mero mineiro, ou pelo simples prazer de colecionar um outro pais de uma maneira bem fácil. Numa manhã fugi de casa bem cedo, já que minha co-moradora, a dita Estefânia cover, não se interessava pela travessia do deserto, e fui sozinha em busca daquela linha que a gente encontra nos mapas. Pra chegar foi preciso diferentes meios de transportes (viva os modais!). No começo um táxi (que funciona como transporte público e normalmente bem barato para nós) como o taxista queria cobrar caro e eu não aceitei, ele me largou no meio do caminho. Ainda melhor, com o "car rapide", ou Alhamdoulillahi para os íntimos - o minibus africano de lindas colores, em vez de pagar 1000 dinheiros paguei somente 100! Depois uma charrete, na qual paguei mais 100 dinheiros pra compartilhar com 3 senhoras que vinham do mercado com suas latas na cabeça e uma menininha com sua latinha (as "latas de cabeça" são proporcionais ao gênero e idade). No ponto final da charrete fiquei, ou seja, na parte 2/3 desse bairro Gokhumbacc que tem 3 partes.

Atravessar a parte 3 a pé tem suas dores e delicias. Dores de ouvido de tanto ouvir toubab,toubab, toubab... dor na mão de apertar todas as pequeninas mãozinhas que estenderam pra mim... dor no coração de tanto plástico no chão... Delícias de voltar às reflexões da sociologia em "quando a rua vira casa" (os arquitetos vão me entender mehor) o livro indicado pela professora loira. Aqui não tem casa nem rua, como no ambiente da favela, e é preciso justificar... onde você vai estrangeiro? E nem adianta fingir que sou da turma, pois não me pintei de carvão ao sair de casa. E realmente se invade, pois privacidade e propriedade aqui são fluidas e de uma lógica ainda de difícil apreensão.

É na rua de areia que se erguem os invisíveis "puxados": é ali a cozinha com suas mulheres, legumes e peixes, onde está o fogão tipo acampamento em forma de botijão de gás com trempe ou pequena churrasqueira, onde se lava a roupa no balde fazendo 90 graus com o corpo e onde se extendem as roupas nas fachadas das casas ou perpendicular, atravessando a rua. Sim, no meio da rua, algum problema? O comércio também é feito pelas mulheres que se instalam ao lado da padaria com seu banquinho e mesa baixa e vendem recheios apimentados para baguetes, peixe frito, bolinhos e pastéis. As crianças prolifeream por todos os lados, brincam, correm, gritam, pertencem à todas as mulheres, como na sociedade de muriquis (vide google).

Os homens não estão ali; pescam no mar por dias em suas "pirogas", dirigem os milhões de táxis que circulam, fazem o grande comércio, costuram os vestidos das mulheres nos mercados...e tocam seus tambores djembés às 3h da madrugada... e procuram mais uma de suas 4 possíveis mulheres.

Deixando de ser prolixa e voltando ao destino mouro, no fim do bairro acaba a cidade e prevalece a areia. Mesmo o cemitério é uma duna com diversas placas em madeira de "aqui jaz". Areia e água, é isso que se tem por todos os lados, gastando o dicionário, verão que estou num istmo: uma faixa estreita de terra, neste caso areia, aqui entre o rio e o oceano. E ninguém, ninguém, ninguém mais... Até que passa correndo um tipo maratonista - não, ele não veio da corrida de Buenos Aires nem do Quênia - não perguntei para evitar as perguntas básicas e o pedido de casamento, mas deve ser parte do treino da famosa luta daqui, na qual dois homens se agarram e tentam colocar o outro no chão - não, não é um momento gay, senão eles iriam pra prisão já que homossexualismo é proibido por lei. E que bom que ainda não atravessamos a fronteira da Mauritânia, pois là a infração é suceptivel a pena de morte! (Que felizmente não se aplica).
O segundo indivíduo foi o catador de sei là no mangue com seu barquinho. O terceiro foi um carro rumo ao norte, do outro lado da faixa de areia.

Sentada na praia bebendo àgua no saquinho pensei que nesse vento de Jeri seria perfeito para um kitesurf.

Dizem que é ali a fronteira, nesse ponto do istmo chamado "língua dos bàrbaros", onde estão as únicas árvores. De fato a linha não está lá e niguém pediu meu passaporte, mas deu um bom sentimento de travessia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sessão fotos

Natureza, pra começar a sessão fotos. Aqui tudo cresce mais do que o normal.

Festa do "Simb", embaixo da nossa casa. Atenção ao cara fantasiado - esse o falso-tigre, mas há também o falso-leão, falsa-pantera. As crianças fogem de medo de serem pegas por esse ser. Alguns adultos e crianças pagam um bilhete de entrada pra ficarem tranquilos e assistir a dança. Se eles te pegam tem que pagar uma prenda. Pode ser dançar o Tam-Tam, pode ser receber água nos cabelos, areia ou para os pequenos, deitar no chão e se acariciar as partes íntimas...

Langue de Barbarie : À esquerda o rio senegal e o cemitério. Um muro o separa do local de secagem dos peixes na beira do oceano.


O Pelicano, monstro voador.

Aniversário com muito presente virtual, e alguns reais. Pulseiras e cartão de Baobá da minha amiga de todo dia que já sabe da minha fissura permanente por essas grandes árvores e uma colônia Casablanca enrolada em jornal escrito em árabe do vizinho de baixo. À noite, cinema ao ar livre e um concerto com música boa. A gente finge que dança, eles dizem que é dança da mauritânia, mas de fato é uma imitação da Síria inspirada em Aurélie.