sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Extra extra - mídia senegal

Rádio e suas diversas facetas. Em wolof se passam várias entrevistas, à cada frase o interlocutor responde "humrum", "hurum". Um pouco antes da reza allilahilalahi, tem aula de chinês pela 102,9fm. No mesmo momento a radio france-senegal discute de assuntos diversos (a última vez era sobre os maus tratos dentro dos hospitais), notícias do mundo e diz sempre a hora da França e a hora GMT (o nosso fuso daqui). Zapeando encontro um programa de músicas em português, até agora já foi uma da Guiné-Bissau, uma de Angola e uma de Cabo Verde - sempre bem dançantes e às vezes com o tecladinho com percusão ao fundo - tipo tecno brega paraense. E a última foi "ai, ai amor, é somente ela que me satisfaz"... qualquer similaridade é mera coincidência visto o sotaque é africano de Portugal.

TV e suas novas. Esses dias fomos parar em pequenos restaurantes com tv, e, claro, passamos a refeição completamente hipnotizadas pelo poder das ondas. Pra começar vieram os clips religiosos, o primeiro durou mais de 10 minutos com imagens da mesquita cidade mais religiosa - Touba - e dos cantores, homens com suas túnicas coloridas até os pés que se movimentam muito levemente sentados na praia. Todos eles repetem a mesma frase initerruptamente durante o tempo todo. No jornal uma notícia passa rapidamente dizendo que uma indústria farmacêutica inglesa faz testes de um gel anti-AIDS em mulheres africanas que são pagas para ver a eficácia dessa nova proeza farmacêutica. E como a fórmula não está bem desenvolvida ainda, fez mais de 50 mulheres contraírem AIDS, e ainda mais todas outras tantas que participaram das pesquisas que devem também ter contraído. O jornal faz uma entrevista com a farmacêutica responsável que de dentro do seu confortável escritório em Londres diz que isso não tem problema algum, já que essas mulheres seriam inevitavelmente infectadas devido ao ambiente em que vivem. Não me convenceu, Doutora...

A praia que faltou da outra vez, uma parte boa de se mostrar, à direita o Oceano Atlântico e à esquerda a foz do Rio Senegal:

A parte ruim de se contar, é a quantidade incrível de lixo que tem...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dia de Férias

Nada aqui é tão férias, mas às vezes tem cara de. Hoje eu senti como o primeiro dia de férias, mesmo que tenha sido um pouco conversa de trabalho. Teve praia e pela primeira vez um ensaio de banho de mar, mas as ondas são enormes e se desmancham em barulho de trovão, a maré puxa muito e os pelicanos parecem monstros voadores - se eles voam acho que a gente também devia tentar...
Enfim, consegui me molhar até a cintura e umas espirradas pelas costas e ao secar... quanto sal! Depois de secar na areia dos pequenos carangueijos e enormes conchas, a pele fica branca de pó. O lugar se chama Langue de Barbarie, Langue pela forma, uma faixa de areia bem comprida que segue por muitos kilômetros pela costa (um istmo, viu?) e Barbarie disseram que por causa dos mouros, que moram na Mauritânia e eram conhecidos como bárbaros, pois grosseiros invadiam seus vizinhos.
Pedacinho de paraíso deserto, tem um hotel com cara de acampamento super gostoso onde ficamos comendo e bebendo. No fim da refeição 3 copos (pequenos lagoinhas) de chá, cada qual com sua definição: o primeiro amargo como a morte, o segundo doce como a vida e o terceiro melado como o amor...

Depois disso tudo um primeiro delírio coletivo virtual. Adoro esses meus amigos! Vontade de ficar por lá naquela cozinha gostosa da Ana! Sotaque frances foi demais, mas é fato que não falo português mais. Daqui a pouco fico com sotaque paulista de tanto ouvir a Céu cantar pra mim.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Les Femmes Sénégalaises


São lindas! Elas brilham mesmo de dia com seus paetês, dourados, véus, transparências, tecidos vibrantes e grandes bijoux - com disse o senegalês "não gosto de mulher sem brinco, parece homem!". (mesmo idosa essa mulher é linda e adorei tirar essa foto!)


Em frente a nossa casa teve uma festa, começou de manhã com os homens arrumando o lugar, colocando cadeiras e uma tenda. Quando voltamos a noite estava caindo e só havia mulheres que distribuiam seus presentes à criança que estava sendo batizada - ou seja - batismo no islamismo é ler o alcorão no ouvido do recém chegado isso com uma semana de nascido, aí que ele ganha seu nome.
Ficamos na varanda, a espera que alguém nos convidasse, afinal, precisávamos fazer amigos! De repente vem um cara: "É meu filho que nasceu, querem ir lá conhecer?" Nesse fim de festa, quando todas as cadeiras da rua já estavam guardadas na casa, nós, as únicas brancas do bairro, viramos a atração da casa. Fomos parar no quarto pra ver o bebê que estava mamando. A mãe saía dos padrões da bela mulheres e mais parecia uma drag mama que comeu muito McDonalds com roupas delirantemente brilhantes e cílios postiços de purpurina azul...
O pai, professor de matemática e elétrica, pediu pra tirar uma foto conosco, aproveitamos o ensejo e loucas pra tirar fotos também corremos pra buscar nossas câmeras. Aproveitamos também pra buscar uma grana, pois desde que entramos na casa todo mundo ficava repetindo que precisa dar um dinheiro pro recém nascido.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010