sexta-feira, 26 de novembro de 2010







Já caiu na real que o Brasil está crescendo enormemente nesse contexto de globalização? Essa palavra é batida e besta. mas é preciso mesmo pensar que o mundo funciona como uma coisa só. Trazendo pra escala humana, o mundo parece divido como um apartamento. Existem lugares de estar e prazer, que devem ser bonitos e aconchegantes como o quarto pra repouso, a sala e o escritório para encontros sociais e discussões intectuais; e um segundo bloco, de lugares de serviço e coisas mal cheirosas, como a cozinha, a despensa e o banheiro. O Brasil aos olhos do mundo aparece misturado, talvez nesse paralelo seja uma ante sala, concentrando serviços e lazer – onde o convidado deixa seu casaco molhado e enxuga os pés de lama, mas também onde ele recebe o primeiro sorriso e sua taça de champagne. Ainda é um país-cozinha com suas gigantes monoculturas de exportação, onde grande parte de suas terras mais preciosas já foram compradas à preço de banana por capital gringo – costa nordeste e exploração da amazônia – locais que fabricam rios de dinheiro que escoam pela torneia aérea, a milhas dali. Alguns capítulos restam apagados com o plin-plin da novela ou com o chopp do happy hour, assim como boas novidades que poderiam ser mais populares. A visão que o mundo tem é desse povo contente, festeiro e pacífico, que é pobre mas é feliz, é limpinho, dócil apesar alguns topos de violência que amedrontra multidões; com localizadas guerras civis causadas por tráfico de drogas nas favelas, sustentado também por deputado burguês. Enfim, esse gigante pela própria natureza – melhor, pela astúcia de nossos antepassados colonizadores – está adormecido para os olhos da massa, mas bem acordado para os espertos homens de negócio, brasileiros ou não. A questão é, como contar pra todos que não participam da grande festa ? Como contar que existe algo além da cesta básica? Que se pode sorrir por com orgulhos maiores do que ganhar bolsa família do governo? 
Se conquista pouco a pouco a dignidade, mas ainda se deixa esse povo pra lá! Mais distantes melhor, como li em algum lugar “a classe média se assusta com a melhoria da classe desfavorecida pensando ‘imagina se sentam ao meu lado na sala de cinema?” Problema deles se eles não sabem, são burros... se eles não reclamarem melhor, sobra mais pra mim ! Sim estou falando de melhoria de educação!
Muita dessa riqueza que tem sido produzida não tem sido adquirida ou quando adquirida, não distribuída de maneira justa. O suor de quem produz não ganhou Kleenex, o corpo saudavelmente esculpido não foi de academia, nem daquela lipoaspiração que depois de dois meses foi embora com petit gâteau de chocolate… Você olhou pra a pessoa que passou no seu lado hoje ou você ficou com medo de abaixar o vidro do seu carro, pois as unhas dela estavam pretas? Já pensou que a violência a qual estamos expostos nós mesmos ajudamos a gerar com a indiferença? Porque existem países muito mais miseráveis e ainda mais pacíficos? Talvez seja porque as pessoas se relacionam, pois a agressão vem primeiro com palavras e gestos, passa por sentimentos, pra depois culminar em estilete ou pistolas. E se as melhorias de educação fossem pagas diminuindo o salário de Dona Dilma e seus colegas do planalto? E ela teria coragem de propor o salário de 1 dólar como executivos americanos ousaram na 2a guerra? Se você contrata uma empregada exige que ela limpe todos os cantos, porque não faz o mesmo quando contrata um político? Pagamos o salário dele, temos direito de exigir. « A luta continua companheiro », « o povo unido jamais será vencido », « fim dos privilégios », « libertas quae sera tamem »*, « ordem e progresso » todos já ouvimos essas frases que de tanto ecoarem já não fazem mais sentido. Como tocar a massa entorpecida de internet e coca-cola, sem ideologias ou anseios, que reclama e não se move? Esse é um momento auge, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos... O PAC faz esses eventos depassarem o esporte para criar desenvolvimento urbano - ou é o que deveria fazer. Como produzir algo além do objeto? Desse a indústria se encarrega, já tem demais nas prateleiras consumistas. Como produzir conexões, entre a prosperidade que existe nesse país e as pessoas para estancar a xenofobia que apareceu nas eleições? Eu tento pensar nisso, me diga se quiser também.

* liberdade ainda que tardia

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Noturno
















Objetos e seres passeiam pela noite.
Escuro que se acabará depois da tecnologia...
O laser detector de pessoas vai clarear a floresta.
Não tem solução: sem luz vê-se as estrelas mais fortes, mas não se pode ler na cama.
Com luz os objetos não somem, mas os gambás não desfilam com suas folhas amarradas pelo rabicó.
Ser ou não ser, eis a questão, os clichés contribuem para expressão.


Mundialização










































Brasileira,vestido chinês, disfarce de havaiana.

De volta ao meu aconchego, livre do bloqueio do partido, volto também pra essa vida virtual. Agora tem menos sentido escrever em português, já que os queridos que estão longe falam outras línguas. Mas como o prazer em escrever continua, as letras saem fáceis. Posso escrever livremente em português, tem mais poesia, às vezes quem sabe posso fazer edições bilíngues de coisas importantes como delírios coletivos itinerantes?
Faz bem não fazer nada obrigatório, ou melhor, fazer tudo dentro de um tempo que lhe apraz e ter assim o tempo de olhar a mangueira. Se inspirar no verde que se transforma pouco a pouco em uma flor roxa e amarela, em um pequeno beijinho rosa e branco, em outra lilás que sobe sobe por cima do telhado até chegar ao sol. Também observar a manga que engorda a medida que os dias avançam e assim, até apodrecer no chão aquelas não colhidaa, dando assim alimento aos insetos e todos os outros, seus amigos que costumamos entender como asquerosos por fazer trabalhos que ao nosso ver são menos dignos. Porque a minhoca, mosca e a larva são vistas como menos dignas que a abelha ou a formiga? Porque comer boi e galinha pode, mas cachorro e cobra não? O camarão nada mais é do que uma barata branca que nada, se pensarmos com cuidado (biólogos que expliquem). Mas é dificil pensar diferente depois que vários definiram o certo e o errado, o bom e o ruim, o bonito e o feio.
Vou comprar um dicionário pra me explicar a viver, o google não sabe mais várias coisas que já se passaram... Ele acha que apraz é marca de remédio que contém "alprazolam", indicado para ansiedade. É... pelo menos pra isso a internet é genial, fazer ligações às vezes inimagináveis de coisas em nexo, mistura de prazer e ansiedade é uma estranha bomba.

sábado, 21 de agosto de 2010

No Calor de CHINATOWN

Depois de um silêncio que durou cerca de 3 meses, eis-me aqui neste mesmo blog de sempre. Antes era a vontade que faltava, depois foi a censura que me impediu, mas agora, graças a um geek descobri o site "rtunnel.com" que viola todas as barreiras internéticas... Só não descobri como colocar fotos...



A historinha agora continua numa cidade chamada Changzhou e que fica logo ali perto de Xangai.

Onde o calor do verão não perdoa e faz a população se equipar. Talvez a maioria das pessoas circula em pequenas motobiletes elétricas, sem barulho algum e em qualquer sentido da rua. Por algo em torno de 300 reais - o equivalente a um salário minimo daqui - você compra sua moto, a bike elétrica ainda sai mais em conta. Pode circular o dia todo pela cidade e a noite "liga" na tomada durante 6 ou 8h e estará prontinha pro dia seguinte. é perfeito, se não fosse o império do petroleo poderíamos ter dessas também...

Eles aqui já estão usando também ônibus elétrico, mas ainda são poucos. Na exposição universal de Shanghai, que ocupa uma área gigantesca, a circulação é feita por barco que atravessam o rio Huangpu e por esses ônibus silenciosos (perigo a vista para o pedestre desatento).

Só tem um pequeno detalhe... A energia elétrica aqui não está assim tão abundante... A produção de energia elétrica vem de termoelétricas (que me parece não ser assim tão sustentável) e também da maior hidrelétrica do mundo - a barragem das "três gargantas" (por curiosidade, Itaipu Brasil/Argentina é a segunda)*. Mas essa maior hidrelétrica do mundo produz somente 3% da energia gasta na China...

E, em Changzhou o gasto com iluminação decorativa é alucinate - e olha que aqui é considerado uma cidadezinha pequena, de 3 milhões de habitante, um pouco maior que nossa BH...) parece um eterno natal na praça da Liberdade. E para manter funcionando essas simples coisas que trazem felicidade para o cidadão (os neons, espetáculos nos parques temáticos, ar condicionado 24h, e tudo mais que nem sei o que) , as indústrias tem que diminuir seus gastos de eletricidade parando seu funcionamento um dia por semana durante o verão.

Não é à toa que a China é o maior emissor mundial de CO2, felizmente não é o maior emissor per capita, senão o mundo já teria explodido com seus 1,4 bilhões chinesinhos que circulam por aqui (xeixei wikipedia).

*ainda em tempo, maior somente em tamanho, em geração de energia Itaipu ainda bate as gargantas.

sábado, 29 de maio de 2010

Lissabon











Faltou Joana e Pedro...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sem petróleo no pé

Cada dia mais experiente em deserto e baobás, agora foram as dunas de Loumpoul de me fizeram pensar em Jeri de novo. A duna engoliu minhas havaianas, aquelas mesmas que o surfista me deu no Ceará...
Perdi um pouco da minha nacionalidade e de vingança vou deixar minha Melissa pra trás: fui enganada, agora aprendi que sapato de plástico é coisa de terceiro mundo...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Casamance


A primeira é o tchau Saint Louis. As demais já em Cap Skirring, no sul do Senegal e eu dentro do vidro.























quinta-feira, 22 de abril de 2010

Envolta da gente tem a natureza

Cada dia mais experiente em deserto e baobás.








Pelicano x pássaros









Dentro do Baobá

















Mãos vermelhas da fruta do cactus








Baobá cemitério enorme de grande







Phacochere - ou nosso bom e velho Timão

sexta-feira, 26 de março de 2010

Saint Louis > Dagana > Podor > Richard Toll








No rio cabe tudo, as crianças nadam de shortinho, as mulheres lavam roupa com seus seios à mostra e o homens lavam o talvez único carro da cidade, também suas charretes com cavalo e tudo. Na travessia pra Mauritânia, as mulheres vão de canoa com seus tecidos coloridos e os homens chegam de lá com mercadoria pra vender, na foto em primeiro plano a singela raiz do Baobab.










Família de Dagana que nous acolheu e nos serviu um enorme prato delicioso de arroz peixe e legume - o prato local de tooodo dia - o Thiebboudjene.

Tá sentindo o seco e o calor ? As construções em terra às vezes dão lugar à barracas de camping dos toubabs* da cruz vermelha e afins.
Dentro do minibus, virando Touareg beduína mulçulmana pra proteger do vento.








Já foi em Ipatinga no verão? Rio nos seus 40 graus? Talvez seja igual o sertão bahiano (mas esse eu não conheço).
Imagina o bafo do Sahara lambendo os seus cabelos. Agora entendo o véu, a burka, os beduínos e os touaregs... e todas essas coisas e panos que os protegem do vento forte e areia fina que vem com ele.
Tirando fora Saint-Louis, o Senegal ferve no caldeirão desértico. Saint-Louis até faz frio à noite com a brisa do mar e do rio, mais pro interior... mesmo às margens do rio a temperatura vai às alturas.

Em Podor à 23h a ducha fria caiu bem, 5 minutos depois estava seca. Às 2h da matina acordei com o calor, mesmo com ventilador ligado, que soprava quente! Tomei uma outra ducha e assim com o cabelo molhado consegui domir até as 4h quando tudo estava seco e quente outra vez e parti pra terceira ducha! Mas que nada, acabou a água...

Em Richard Toll existem porcos, são raros num país 95% mulçulmano.

Nesse percurso que durou 2 dias pegamos diversos carros diferentes, um deles foi a caminhonete abarrotada, onde todos estão apertados até o teto.

*Sim, toubab é você mesmo, gringo.

terça-feira, 16 de março de 2010

A Mauritânia

Longa história sem acentos corretos graças ao pobre do teclado francês e repleta de delírios pessoais.
Se não der prazer de ler, jà deu prazer de escrever.

A fronteira com a Mauritânia sempre exerceu uma atração em mim. Talvez pelo fato de que as do Brasil são quase inatingíveis quando se é um mero mineiro, ou pelo simples prazer de colecionar um outro pais de uma maneira bem fácil. Numa manhã fugi de casa bem cedo, já que minha co-moradora, a dita Estefânia cover, não se interessava pela travessia do deserto, e fui sozinha em busca daquela linha que a gente encontra nos mapas. Pra chegar foi preciso diferentes meios de transportes (viva os modais!). No começo um táxi (que funciona como transporte público e normalmente bem barato para nós) como o taxista queria cobrar caro e eu não aceitei, ele me largou no meio do caminho. Ainda melhor, com o "car rapide", ou Alhamdoulillahi para os íntimos - o minibus africano de lindas colores, em vez de pagar 1000 dinheiros paguei somente 100! Depois uma charrete, na qual paguei mais 100 dinheiros pra compartilhar com 3 senhoras que vinham do mercado com suas latas na cabeça e uma menininha com sua latinha (as "latas de cabeça" são proporcionais ao gênero e idade). No ponto final da charrete fiquei, ou seja, na parte 2/3 desse bairro Gokhumbacc que tem 3 partes.

Atravessar a parte 3 a pé tem suas dores e delicias. Dores de ouvido de tanto ouvir toubab,toubab, toubab... dor na mão de apertar todas as pequeninas mãozinhas que estenderam pra mim... dor no coração de tanto plástico no chão... Delícias de voltar às reflexões da sociologia em "quando a rua vira casa" (os arquitetos vão me entender mehor) o livro indicado pela professora loira. Aqui não tem casa nem rua, como no ambiente da favela, e é preciso justificar... onde você vai estrangeiro? E nem adianta fingir que sou da turma, pois não me pintei de carvão ao sair de casa. E realmente se invade, pois privacidade e propriedade aqui são fluidas e de uma lógica ainda de difícil apreensão.

É na rua de areia que se erguem os invisíveis "puxados": é ali a cozinha com suas mulheres, legumes e peixes, onde está o fogão tipo acampamento em forma de botijão de gás com trempe ou pequena churrasqueira, onde se lava a roupa no balde fazendo 90 graus com o corpo e onde se extendem as roupas nas fachadas das casas ou perpendicular, atravessando a rua. Sim, no meio da rua, algum problema? O comércio também é feito pelas mulheres que se instalam ao lado da padaria com seu banquinho e mesa baixa e vendem recheios apimentados para baguetes, peixe frito, bolinhos e pastéis. As crianças prolifeream por todos os lados, brincam, correm, gritam, pertencem à todas as mulheres, como na sociedade de muriquis (vide google).

Os homens não estão ali; pescam no mar por dias em suas "pirogas", dirigem os milhões de táxis que circulam, fazem o grande comércio, costuram os vestidos das mulheres nos mercados...e tocam seus tambores djembés às 3h da madrugada... e procuram mais uma de suas 4 possíveis mulheres.

Deixando de ser prolixa e voltando ao destino mouro, no fim do bairro acaba a cidade e prevalece a areia. Mesmo o cemitério é uma duna com diversas placas em madeira de "aqui jaz". Areia e água, é isso que se tem por todos os lados, gastando o dicionário, verão que estou num istmo: uma faixa estreita de terra, neste caso areia, aqui entre o rio e o oceano. E ninguém, ninguém, ninguém mais... Até que passa correndo um tipo maratonista - não, ele não veio da corrida de Buenos Aires nem do Quênia - não perguntei para evitar as perguntas básicas e o pedido de casamento, mas deve ser parte do treino da famosa luta daqui, na qual dois homens se agarram e tentam colocar o outro no chão - não, não é um momento gay, senão eles iriam pra prisão já que homossexualismo é proibido por lei. E que bom que ainda não atravessamos a fronteira da Mauritânia, pois là a infração é suceptivel a pena de morte! (Que felizmente não se aplica).
O segundo indivíduo foi o catador de sei là no mangue com seu barquinho. O terceiro foi um carro rumo ao norte, do outro lado da faixa de areia.

Sentada na praia bebendo àgua no saquinho pensei que nesse vento de Jeri seria perfeito para um kitesurf.

Dizem que é ali a fronteira, nesse ponto do istmo chamado "língua dos bàrbaros", onde estão as únicas árvores. De fato a linha não está lá e niguém pediu meu passaporte, mas deu um bom sentimento de travessia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sessão fotos

Natureza, pra começar a sessão fotos. Aqui tudo cresce mais do que o normal.

Festa do "Simb", embaixo da nossa casa. Atenção ao cara fantasiado - esse o falso-tigre, mas há também o falso-leão, falsa-pantera. As crianças fogem de medo de serem pegas por esse ser. Alguns adultos e crianças pagam um bilhete de entrada pra ficarem tranquilos e assistir a dança. Se eles te pegam tem que pagar uma prenda. Pode ser dançar o Tam-Tam, pode ser receber água nos cabelos, areia ou para os pequenos, deitar no chão e se acariciar as partes íntimas...

Langue de Barbarie : À esquerda o rio senegal e o cemitério. Um muro o separa do local de secagem dos peixes na beira do oceano.


O Pelicano, monstro voador.

Aniversário com muito presente virtual, e alguns reais. Pulseiras e cartão de Baobá da minha amiga de todo dia que já sabe da minha fissura permanente por essas grandes árvores e uma colônia Casablanca enrolada em jornal escrito em árabe do vizinho de baixo. À noite, cinema ao ar livre e um concerto com música boa. A gente finge que dança, eles dizem que é dança da mauritânia, mas de fato é uma imitação da Síria inspirada em Aurélie.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Extra extra - mídia senegal

Rádio e suas diversas facetas. Em wolof se passam várias entrevistas, à cada frase o interlocutor responde "humrum", "hurum". Um pouco antes da reza allilahilalahi, tem aula de chinês pela 102,9fm. No mesmo momento a radio france-senegal discute de assuntos diversos (a última vez era sobre os maus tratos dentro dos hospitais), notícias do mundo e diz sempre a hora da França e a hora GMT (o nosso fuso daqui). Zapeando encontro um programa de músicas em português, até agora já foi uma da Guiné-Bissau, uma de Angola e uma de Cabo Verde - sempre bem dançantes e às vezes com o tecladinho com percusão ao fundo - tipo tecno brega paraense. E a última foi "ai, ai amor, é somente ela que me satisfaz"... qualquer similaridade é mera coincidência visto o sotaque é africano de Portugal.

TV e suas novas. Esses dias fomos parar em pequenos restaurantes com tv, e, claro, passamos a refeição completamente hipnotizadas pelo poder das ondas. Pra começar vieram os clips religiosos, o primeiro durou mais de 10 minutos com imagens da mesquita cidade mais religiosa - Touba - e dos cantores, homens com suas túnicas coloridas até os pés que se movimentam muito levemente sentados na praia. Todos eles repetem a mesma frase initerruptamente durante o tempo todo. No jornal uma notícia passa rapidamente dizendo que uma indústria farmacêutica inglesa faz testes de um gel anti-AIDS em mulheres africanas que são pagas para ver a eficácia dessa nova proeza farmacêutica. E como a fórmula não está bem desenvolvida ainda, fez mais de 50 mulheres contraírem AIDS, e ainda mais todas outras tantas que participaram das pesquisas que devem também ter contraído. O jornal faz uma entrevista com a farmacêutica responsável que de dentro do seu confortável escritório em Londres diz que isso não tem problema algum, já que essas mulheres seriam inevitavelmente infectadas devido ao ambiente em que vivem. Não me convenceu, Doutora...

A praia que faltou da outra vez, uma parte boa de se mostrar, à direita o Oceano Atlântico e à esquerda a foz do Rio Senegal:

A parte ruim de se contar, é a quantidade incrível de lixo que tem...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dia de Férias

Nada aqui é tão férias, mas às vezes tem cara de. Hoje eu senti como o primeiro dia de férias, mesmo que tenha sido um pouco conversa de trabalho. Teve praia e pela primeira vez um ensaio de banho de mar, mas as ondas são enormes e se desmancham em barulho de trovão, a maré puxa muito e os pelicanos parecem monstros voadores - se eles voam acho que a gente também devia tentar...
Enfim, consegui me molhar até a cintura e umas espirradas pelas costas e ao secar... quanto sal! Depois de secar na areia dos pequenos carangueijos e enormes conchas, a pele fica branca de pó. O lugar se chama Langue de Barbarie, Langue pela forma, uma faixa de areia bem comprida que segue por muitos kilômetros pela costa (um istmo, viu?) e Barbarie disseram que por causa dos mouros, que moram na Mauritânia e eram conhecidos como bárbaros, pois grosseiros invadiam seus vizinhos.
Pedacinho de paraíso deserto, tem um hotel com cara de acampamento super gostoso onde ficamos comendo e bebendo. No fim da refeição 3 copos (pequenos lagoinhas) de chá, cada qual com sua definição: o primeiro amargo como a morte, o segundo doce como a vida e o terceiro melado como o amor...

Depois disso tudo um primeiro delírio coletivo virtual. Adoro esses meus amigos! Vontade de ficar por lá naquela cozinha gostosa da Ana! Sotaque frances foi demais, mas é fato que não falo português mais. Daqui a pouco fico com sotaque paulista de tanto ouvir a Céu cantar pra mim.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Les Femmes Sénégalaises


São lindas! Elas brilham mesmo de dia com seus paetês, dourados, véus, transparências, tecidos vibrantes e grandes bijoux - com disse o senegalês "não gosto de mulher sem brinco, parece homem!". (mesmo idosa essa mulher é linda e adorei tirar essa foto!)


Em frente a nossa casa teve uma festa, começou de manhã com os homens arrumando o lugar, colocando cadeiras e uma tenda. Quando voltamos a noite estava caindo e só havia mulheres que distribuiam seus presentes à criança que estava sendo batizada - ou seja - batismo no islamismo é ler o alcorão no ouvido do recém chegado isso com uma semana de nascido, aí que ele ganha seu nome.
Ficamos na varanda, a espera que alguém nos convidasse, afinal, precisávamos fazer amigos! De repente vem um cara: "É meu filho que nasceu, querem ir lá conhecer?" Nesse fim de festa, quando todas as cadeiras da rua já estavam guardadas na casa, nós, as únicas brancas do bairro, viramos a atração da casa. Fomos parar no quarto pra ver o bebê que estava mamando. A mãe saía dos padrões da bela mulheres e mais parecia uma drag mama que comeu muito McDonalds com roupas delirantemente brilhantes e cílios postiços de purpurina azul...
O pai, professor de matemática e elétrica, pediu pra tirar uma foto conosco, aproveitamos o ensejo e loucas pra tirar fotos também corremos pra buscar nossas câmeras. Aproveitamos também pra buscar uma grana, pois desde que entramos na casa todo mundo ficava repetindo que precisa dar um dinheiro pro recém nascido.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010


Alhamdoulilahi (obrigada deus)! Ta escrito em todos os carros rápidos, esse é o ônibus daqui, o outro tipo de "onibus"é o taxi amarelo e preto (e chama assim mesmo (taxi noir et jaune) que tá em segundo plano nas duas fotos. Peguei uma vez. E o povo reclama do transporte público de BH...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

RELIGIÃO É VIDA, CLIQUE NA IMAGEM PRA LER


CLICANDO NA IMAGEM VC CONSEGUE LER (eu escrevi no word e no blog não aceita ctrl+c ctrl+V).

domingo, 24 de janeiro de 2010

Como chegar















pára um pouquinho, descansa um pouquinho...

Paris, depois de 48h tentando cruzar o altântico entre escalas, praia, almoço com peixe e novos amigos cariocas, 5h dentro do avião quebrado, um verdadeiro Big Brother Air France, com direito a hotel com piscina e excelentes companhias dos viajantes.

Apesar do delicioso glamour parisiense, não se engane com essa megalópole que nos engole. Foram cinco dias com gostinho de um. Rápido no metrô, tempo escasso e muita coisa a fazer, a vantagem é que na mistura de prazeres e afazeres aqui sempre descobre lugares belos. E como são mineiros esses parisienses, os queridos sempre acolhedores, a cozinha é n. 1 no ranking melhores lugares da morada e na rua quem ganha são os butecos (olalá, não me matem mudar o nome dos fofos e diversos cafès e brasseries, pensem em sentir o espírito).

Balanço: cinco torres Eiffel por 1 euro (todas) porque os brasileiros são ótimos. Quem vai querer uma?


Passando por Casablanca, uma latinha de coca-cola em árabe e olhar por alguns instantes o Marrocos, ex-colônia francesa (o brasileiro que aprendeu isso na escola põe o dedo aqui).

Na revista francesa "Jeune Afrique" (jovem africa) em comemoração aos 50 anos de independência de 14 países que foram colônias francesas na África (incluindo Senegal), eles questionam o que os dirigentes fizeram com seus 50 anos de "liberdade"... e dizem que não foi nada. Melhor ser livre e na merda ou vendido e infantilizado com proteção?

Chegar no Senegal dá um gostinho de voltar pro Brasil, saimos da opulência e voltamos ao mundo das coisas a fazer. Não há muito mais a falar, ainda no hotel vivendo no pequeno mundo virtual. Mas, voilá a primeira impressão: me disseram que o Senegal tem um cheiro específico de um perfume muito usado, eu pensei, hum...será? É tudo verdade! Até agora o país parece que foi borrifado com esse cheiro macio e doce - ainda descubro o que é. E também um cheiro intenso de mar, de aeroporto colado no oceano.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A África dos cineastas
















Cada um conta a história que quer... Cada um tem a fonte que pode... Pra entender melhor o continente primeiros contatos com filmes diversos.

África pelos olhos de cineastas: sempre sangue, música e crianças. (Alguma similiaridade com nosso Brasil?) Com exceção de dois que vi sobre o Senegal, de Ousmane Sembéne

Senegal - mocinha africana feliz se decepciona ao chegar na França. Falta de comunicação...(vide: La noire de...)

Senegal - em Dakar, muito vudu, fome e sonhando com Paris... (vide: Touki Bouki)

África do sul - movimento anti-apartheid (vide: Em nome da honra)

Uganda - Idi Amim - ditador mata 300.000 (vide: Último Rei da Escócia)

Ruanda - Guerra civil entre Hutus e Tutsis - pelo que entendi foi uma divisão étnica influenciada pelos belgas, linda trilha sonora de Doro Munyaneza (vide: Hotel Ruanda)

Nigéria - divertido curta sobre a influência dos cowboys americanos (vide: Les cowboys sont noires)

Matobo - país fictício, um fiasco, uma apologia à ONU... (vide: A intéprete)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Saint Louis, Senegal / num piscar de olhos /


- Na lígua Wolof, língua falada na África ocidental: Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Saint-Louis, chama-se "Ndar".

- Foi a primeira capital do Senegal desde 1673 até a sua independência da França 1960, quando a capital passou a ser Dakar.
Grosso modo, nossa Salvador, capital do Brasil colônia 1594, porém esta passou o trono pro Rio de Janeiro em 1763, antes da alforria do colonizador. Comparável também a Ouro Preto, que perdeu a glória quando a capital se tranferiu pra Belo Horizonte, motivo pelo qual manteve seu patrimônio histórico. ps, teve muita história por aí nessas colônias antes de europeu, mas fica pra outro papo...

- É uma ilha, parte do chamado Sahel, região geográfica que é a transição entre o deserto do Sahara e os baobás da savana. Onde há uma faixa de 600km de areia e onde se formam lagos durante as estações chuvosas.

- Atualmente é movida economicamente pelo turismo, é patrimonio mundial pela natureza, exemplo excepcional de arquitetura colonial, possui eventos culturais como o mais importante festival de jazz da África.